Iniciamos um novo ciclo na Morada da Luz. Com os corações repletos de gratidão pelo ano que passou — onde realizamos mais de 260 atendimentos individuais, acolhendo histórias e trocando energias de aprendizado —, abrimos 2026 voltando nossos olhos para o Evangelho Segundo o Espiritismo.
A reflexão que abre nossos trabalhos traz um ensinamento profundo sobre a reencarnação, mas, acima de tudo, sobre a nossa capacidade de enxergar o outro não pela matéria, mas pela essência.
A Lógica da Reencarnação
A passagem bíblica que guia nossa reflexão (“Ninguém poderá ver o Reino de Deus se não nascer de novo”) nos remete ao diálogo entre Jesus e seus discípulos sobre Elias e João Batista.
Historicamente, havia uma confusão entre os termos “ressurreição” e “reencarnação”. A ressurreição sugere o retorno da vida ao mesmo corpo material — algo que a ciência e a razão nos mostram ser impossível quando a matéria já se desfez. A doutrina espírita, contudo, nos esclarece através da lógica da reencarnação: o retorno do espírito à vida corpórea, mas em um novo corpo, preparado para uma nova jornada de evolução.
Foi assim que João Batista pôde ser Elias reencarnado, mas não ressuscitado.
O Olhar de Simão Pedro
Entretanto, o ponto mais tocante da lição não está apenas na teologia, mas na sensibilidade. Quando Jesus pergunta: “E vós, quem dizeis que eu sou?”, Simão Pedro responde: “Tu és o Cristo, o filho do Deus vivo”.
A resposta de Jesus a Pedro é a chave para a nossa conduta diária:
“Bem-aventurado és, Simão… porque não foi a carne nem o sangue que to revelaram, mas meu Pai que está nos céus.”
Pedro não reconheceu Jesus pelas roupas, pelos traços físicos ou pelas aparências mundanas (“a carne e o sangue”). Ele o reconheceu através de uma sensibilidade psíquica e espiritual. Ele viu além.
Reconhecendo a Dor e a Esperança no Próximo
Vivemos em uma sociedade que muitas vezes julga pelo biotipo, pela estatura ou pela estética. Mas o convite da espiritualidade é para desenvolvermos o olhar de Pedro.
Ver além das aparências é caminhar por uma praça e reconhecer alguém não por sua forma física, mas por sua necessidade de alma. É conseguir enxergar, através da “casca” material, as mágoas guardadas, as raivas acumuladas e os desesperos silenciosos que muitos carregam.
Quando ativamos essa percepção — seja pela intuição, pelos nossos mentores ou pelo simples exercício da empatia —, passamos a nos comunicar de espírito para espírito.
A Força da Comunidade
Se somos capazes de tocar a alma do outro, temos o dever de transmutar essa dor em esperança. Mesmo que pareça o “último minuto” para alguém, um gesto de acolhimento genuíno pode resgatar uma vida.
Este é o real motivo de nascermos em comunidade: a união de forças. Não estamos aqui para caminhar sós, mas para construir, juntos, tempos de virtude e fraternidade.
Que neste novo ano possamos treinar nossos olhos para ver menos a “carne e o sangue” e mais a luz que habita em cada irmão que cruza nosso caminho.

