Mundos Regeneradores e o Prumo da Alma: para onde estamos construindo?

Entre as estrelas que cintilam no céu, há mais do que beleza. Há direção. Há pedagogia espiritual. No Evangelho Segundo o Espiritismo, Santo Agostinho nos apresenta os mundos regeneradores — esferas de transição entre os mundos de expiação e os mundos felizes. Não são paraísos perfeitos, mas espaços de recomposição moral, onde a alma encontra repouso para se reorganizar antes de seguir adiante.

“Os mundos regeneradores servem de transição entre os mundos de expiação e os mundos felizes. A alma penitente encontra neles a calma e o repouso e acaba por depurar-se.”

Essa ideia nos desloca de uma visão punitiva da vida espiritual para uma lógica educativa. Nada é perdido. Nada é aniquilado. Tudo evolui — no seu tempo.


A calma após a tempestade

Segundo o texto, nesses mundos o ser humano ainda está sujeito às leis da matéria, mas liberto das paixões desordenadas que tanto aprisionam na Terra. Não há mais o domínio do orgulho, da inveja ou do ódio como forças centrais da convivência.

“A humanidade experimenta as vossas sensações e desejos, mas liberta das paixões desordenadas de que sois escravos.”

Não se trata de perfeição, mas de equilíbrio possível. Ainda existem provas, porém sem as angústias profundas da expiação. É a convalescença depois da doença. Um intervalo de lucidez antes do próximo salto.


O prumo de Amós e o muro da vida

A reflexão do vídeo amplia o texto espírita ao relacioná-lo com a imagem bíblica do prumo, apresentada pelo profeta Amós. O prumo revela se a parede cresce reta ou se, silenciosamente, se inclina rumo à queda.

“Na construção nós crescemos tijolo após tijolo, e o prumo vê se aquela parede está reta. Se está inclinada, tende a cair.”

A pergunta, então, deixa de ser teórica e se torna pessoal:
qual é o nosso prumo hoje?
E mais: que tipo de muro estamos construindo com nossos pensamentos e escolhas?

“Se o muro de Israel à época de Amós já estava torto, com risco de cair, qual será o nosso muro e o nosso prumo?”

Israel mantinha os mandamentos, mas havia se afastado da moral divina. Seguia a forma, não o espírito. Por isso, a palavra precisou ser renovada ao longo do tempo — pelos profetas, por Jesus, pelos ensinadores que vieram depois.


Onde buscar alinhamento no dia a dia?

O vídeo faz uma pergunta essencial para a vida prática: se o prumo não pode ser apenas a moral dos homens, nem apenas sistemas externos, onde então nos alinhar?

A resposta não vem como regra fixa, mas como convite à interiorização.

“Qual será o prumo para nós? É Deus? São as pessoas? São os filósofos? Onde buscar alguma certeza de que estamos crescendo de forma positiva?”

Santo Agostinho aponta um caminho simples e profundo: o silêncio, a contemplação e a prece.

“Contemplai, pois, à noite, à hora do repouso e da prece, a abóbada azulada… e pedi que um mundo regenerador vos abra seu seio após a expiação na Terra.”

O céu, aqui, não é apenas o espaço físico. É símbolo das muitas moradas, dos diferentes níveis de consciência e da lembrança de que a vida não se encerra no visível.


A cada um, o seu céu

Um dos pontos mais fortes da reflexão é a ideia de compatibilidade espiritual. Cada espírito caminha para onde consegue sustentar.

“A cada um, no seu nível de crescimento moral, destina-se um caminho. Até mesmo os de pensamento moral atrasado têm o seu mundo.”

Nada se perde. Tudo se encaixa. Não há destruição do espírito — há aprendizado contínuo.

“Para nós, a abóbada azul deve lembrar que há outros mundos mais sutis, onde há uma pegada de Deus em tudo.”

É pela introspecção, pelo pensamento consciente e pela oração sincera que o ser humano começa a se orientar melhor.


Aprumar o muro, pensamento por pensamento

O fechamento do vídeo traz a espiritualidade para o chão da vida cotidiana. Não se trata de esperar outro mundo, mas de construir melhor agora.

“Aos poucos, o nosso muro pode ir se aprumando através do pensamento, da inspiração, da conscientização.”

Quando o pedido é verdadeiro, o caminho se abre.

“O pedido assim de coração é ouvido, e o caminho se abre para quem tem ouvidos a se abrir a isso.”


Conclusão: um convite à consciência

Os mundos regeneradores não são apenas uma promessa futura. São um espelho do que estamos cultivando internamente. O prumo da alma se ajusta no silêncio, na prece, na revisão diária das atitudes.

“A cada um tem o seu céu e a cada um essa possibilidade de se conectar e entender qual prumo seguir.”

Tijolo por tijolo, pensamento por pensamento, escolhemos para onde estamos indo.

 

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